Saindo da caixa: aulas em círculo

Naturalmente, nós não vemos necessidade em fazermos círculos com os alunos, por razões primeiramente históricas. Em um de meus primeiros textos, citei a era industrial como sendo o fator que originou a forma de se organizar em fila, para concentrar-se em algo e produzir. 

Diante disso, repito a vocês questionando se isso faz ainda algum sentido nos dias de hoje. É um assunto delicado, porém é necessário nos perguntarmos o porquê de certas atitudes e se ainda cabe. Tudo evolui, as gerações evoluem, mas tem que se encaixar nos métodos antigos?

Existem dois lados para pensarmos. O primeiro é como seria esse jeito diferente, circular, de se organizar e em como isso pode ser positivo. Já o segundo, é pensarmos que isso sozinho não faz diferença se não vier com novas intenções metodológicas. Ou seja, mudanças podem ocorrer, por vezes, sem se adaptar à mudanças organizacionais.

Sentar organizadamente um atrás do outro, nos restringe, tendo um menor contato direto com os outros, dando a falsa impressão que nos concentramos mais, quando na verdade não. Parece que nossos alunos não irão conversar com os colegas, porém isso não é verdade. E os alunos então, ficam olhando as costas uns dos outros. Aí entra a questão do círculo, e pergunto, e ouso dizer que, temos um material base para a aprendizagem que não é aproveitado, pelo contrário, é evitado, os colegas de classe, ideias alheias a sua. Outras mentes pensantes.

O processo circular permite uma interação direta com os outros, olho no olho, com direito a conversa, e automaticamente, com as mesmas reações do educador a esse fato, eles irão se cuidar com os excessos. E é ainda melhor porque tendo esse contato, eles saberão respeitar as opiniões ao seu redor e conviver com a vez do outro de falar, por exemplo. Reforço então, que é com a prática que se aprende. Constrói-se ali, um espaço de troca, para uma aprendizagem ainda mais rica.

Porém, essa minha crítica ao modelo tradicional de organização em sala de aula, não se restringe apenas a ele próprio, mas sim estendo às metodologias do educador. Isso faz toda a diferença também. De nada adianta um modelo circular se o professor não permite uma comunicação saudável, por exemplo. Portanto, lembremos de que há escolas que fazem um excelente trabalho de várias maneiras, mas temos um longo caminho pela frente.

Referências

Imagem retirada do link:
http://www.adventista.edu.br/_imagens/area_academica/files/A%20organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20espa%C3%A7o%20em%20sala%20de%20aula.pdf

One thought on “Saindo da caixa: aulas em círculo”

  1. Excelente texto! Muito boa reflexão. Todos os educadores deveriam ler e ter conhecimento deste método me disposição, e, claro aderir dependendo do contexto de sua escola e sala de aula! Super interessante!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *