Escola: o antes e o agora

Nas suas raízes, a escola não mudou. É nos dias de hoje que se vem tendo novas visões de educação, do ato de educar. Quer-se e precisa-se acrescentar empatia, estimular o diálogo, os vínculos, a prática pedagógica mais dinâmica e a autonomia dos alunos. Mas além disso, temos alguns documentos que nos norteiam, por exemplo a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Diante disso, perguntei para meus pais, que estudaram antes da mudança da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) em 1996, e eles me relataram como era ir para a escola naquele tempo. Citaram que se ia para a escola no horário certo, e se atrasasse, muitas vezes, não entrava. O professor entrava, explicava o conteúdo de suas matérias, e saia. Se houvesse bagunça por parte dos mesmos, ele avisava duas vezes, e na terceira, mandava o aluno para casa, e suspenso.

Relataram também em relação às médias, que eram: insatisfatório, regular, satisfatório e excelente. Eram os boletins. Eles contudo, ressaltaram a relação professor e aluno, afirmando que era notável o lugar do professor falando, e dos alunos ouvindo, sem muita chance de se manifestar. A escola enfim, era boa, mas em seu estilo.

Portanto, podemos relacionar com a escola de hoje dizendo que humanamente falando, evoluiu-se já significativamente. Hoje, se busca qualidade na aprendizagem não através do autoritarismo, mas sim do diálogo proporcionado por um educador mediador. Promove-se práticas  que resultem em dinâmicas em que os alunos produzam, aprendam.

Assim, vejo que essas mudanças atitudinais proporcionadas pelas mudanças da LDB, mas também dos profissionais de ensino, são completamente positivas, porque é uma evolução humana. Sempre lembrando que seguimos nos atualizando e lutando por mudanças, porque no geral há muito para melhorar. Acredito que a forma autoritária anterior, era negativa dentre todos os motivos, mas por gerar medo, temor, e não o que tanto almejamos, respeito. Esse porém, vem da admiração, que só teremos de alguém que realmente faça a diferença.

Referência:

Imagem retirada do link:
https://escolaeducacao.com.br/20-atividades-dia-da-escola-15-de-marco/

Construindo vínculos

A necessidade de criarmos vínculos com nossos alunos vai muito além do que imaginamos. Não é um simples “gostar ou não do professor”, ou “ser uma boa turma”, isso nem se cogita, por ser uma visão pessoal de cada um. Construir vínculos significa existir empatia, respeito entre ambos.

Ser paciente, saber respeitar o tempo do outro, vínculo se refere à troca saudável entre aluno e professor. Se existe uma abertura entre educador e educando tudo muda, a aprendizagem é beneficiada, o rendimento da turma é maior. Para isso, precisamos nos despir de ideias rígidas, criar um diálogo na sala de aula, para que sempre haja um bom entendimento.

Quando falo em vínculo, me refiro aquela empatia que existe no olho do professor, que faz o aluno se sentir à vontade para se aproximar, perguntar e trocar ideias. Aquele aluno enfim, respeita o professor justamente porque o admira. O professor não deve ser temido, deve ser respeitado, gostado pela sua turma.

Do que cabe ao professor, vejo a necessidade de conhecer cada aluno, suas histórias, suas particularidades (aqui incluo limitações), isso auxilia e muito na construção de propostas de estudo, nas avaliações, e em suas relações diárias. Ao aluno cabe a dedicação em sua aprendizagem, o esforço, e o respeito por quem está ali, em sua função de ensinar.

Dessa forma, a importância do vínculo entre professor e aluno, entre professor e turma é imensa, porque é através dela que se constrói relações de importância. Se constrói uma aprendizagem ainda mais significativa.

Referências

Imagem retirada do link: http://turmapequenotescuriosos.blogspot.com/2018/

Versatilidade ao orientar

Isto nos remete à algo que sempre ouvimos sem saber porque, mas sabíamos apenas que tínhamos que acatar. O NÃO. Ele é necessário, imprescindível, mas não dizer “não” não significa dizer sim o tempo todo, mas sim substituí-lo por outras opções. Tanto na escola quanto em casa, podemos fazer essa mudança.

Quando dizemos muito não à uma criança duas coisas negativas  acontecem: ela aprende a dizer não pra tudo, e muitas vezes ela não nos atende. Isso aliás, é visto como teimosia, desobediência, mas não é bem isso.

Veja bem, você diz “não faça isso”, e ela NÃO faz o que você disse. E é um ciclo. Mas por quê? Porque o repetitivo “não” faz com que a criança aprenda a dizer não, e ele deixa de ter poder se dito a qualquer custo. Podemos relacionar também esse tema a orientação, nada mais é do que educar. Certos momentos exigem a negação clara, mas, não é sempre. Em muitos deles podemos trocá-lo por sugestões de outras atitudes, é uma forma distinta de orientá-los.

Explicando melhor, a ideia é realmente substituir o não por uma sugestão do que você gostaria que ela/ele fizesse. Por exemplo, com o foco nas escolas, e visando a pedagogia, para uma criança pequena que vai correr na sala, ao invés de dizer “não corre”, chame-o para brincar ou convide para ler um livro. Enfim, trocar por outras possibilidades, ofertar a ideia de outras atitudes. Isso, colabora para a melhoria de outras atitudes também, como o fortalecimento das relações com a turma, a versatilidade para lidar com os determinados e distintos comportamentos que surgiram dia após dia.

Dessa forma, a criança vê o “outro lado” e aprende assim, sem ser submetida a ouvir não o tempo todo. Mas claro, são alternativas, é claro que isso não é para tudo, algumas vezes ele deve ser dito, a questão é o exagero. Lembre-se: o objetivo disso é diminuir o tanto que dizemos “não pode” e apresentar então, o que pode.

Referências

Imagem retirada do link: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcRBhtWeEk20kdo1R28Hlv8xco9_eslFjpXBnJz0k5BdNVesiPZ2

Conhecimento SIGNIFICATIVO

O que você considera conhecimento significativo? Será que podemos ir além do que precisamos saber? Conhecimento significativo se refere a termos uma bagagem que realmente faça sentido, que possamos utilizar, compreender de verdade. Para entender melhor isso, reflita, em tudo o que aprendeu na escola, tudo faz sentido para você? Os conteúdos que aprendeu você realmente entende e os utiliza em algum momento? Ou decorou para a prova e pronto? Pois é, conhecimento significativo é o que FICA. E precisamos falar disso.

Vamos perceber que ao refletirmos sobre isso vamos passar por outros assuntos que já escrevi, como por exemplo, protagonismo, didática do professor, entre outros, porque para termos um ensino em que o que ensinamos signifique para os alunos, precisamos repensar nossas metodologias.

São infinitas as formas criativas para fazer algo ter realmente sentido para os alunos. A primeira delas que eu julgo importante é RELACIONAR, tudo o que explicamos, seja qual for a matéria, vai fazer mais sentido para o público de aluno que estivermos explicando, se tiver relação com o cotidiano deles. A segunda é a CRIATIVIDADE, para propor atividades dinâmicas, criativas e práticas que os nossos alunos se interessem. E a terceira, mas não menos importante (aliás é a base de um bom relacionamento professor/aluno), a EMPATIA. Ela deve estar presentes em todas essas práticas em sala, pois preza o bom relacionamento, gerando um bom entendimento entre ambos. Como sempre digo, se os alunos gostam do professor, respeitam e admiram, e o professor também respeita seus alunos e dá valor a eles, o rendimento nas aprendizagens é muito maior.

Todos esses pontos juntos colaboram para que os conteúdos não sejam apenas dados, não tendo significado para os alunos, mas sim tenham sentido, e com práticas para cada conteúdo, não só teremos rendimentos de aprendizagem maiores, mas também serão descobertas habilidades de nossos educandos.

Referências

Imagem retirada do link: https://goo.gl/images/RNx3EM

Professor mediador: um novo jeito de se posicionar

A educação de um tempo para cá está em grande movimentação, alunos das faculdades, e educadores das próprias escolas estão incluindo visões diferentes para com os alunos. Isso é fruto de um assunto que tratei em outro texto, quando falei sobre os nossos alunos estarem mais a frente, com acesso a tudo, e por isso, precisando de algo que realmente os prenda, seja a nossa didática, seja os próprios conteúdos.

Mas, já faz um tempo que venho utilizando esse termo, mas vocês imaginam o que seja? Mediador é aquele que media, auxilia, cria pontes. Mas e qual o significado disso na educação? Pense em um professor com sua turma, ele ocupa o papel de mediador toda a vez que ele passa a auxiliar os alunos, acompanhando-os em certa atividade, orientando mas  sem interferir no que deverão ou não fazer. Me refiro aquele momento em que os alunos pesquisam, produzem e o professor está aí presente indicando hipóteses, mostrando caminhos. Essa ação modifica a ideia que temos do professor ocupando o lugar a frente e a turma como ouvinte, e isso é ótimo, porque os alunos passarão a desenvolver autonomia, uma vez que você oferece métodos, ferramentas, mas deixa que os alunos busquem.

Não é algo fácil, é claro, a posição de mediar, por si só, em qualquer ação já é algo que exige muito discernimento, mas nós podemos. Acredito que muitas vezes só não somos mais dinâmicos nesse sentido, porque estamos acostumados, acomodados, e o tempo passa, e em sala de aula passa bem rápido. Por isso precisamos parar e refletir, nos permitir em “sair da caixa” para mudar algumas de nossas atitudes/métodos de acordo com a nossa realidade e a da nossa turma.

Aliás, esse tema tão importante me faz lembrar de alguém essencial para a nossa educação, para quem não conhece, Rubem Alves, foi educador, escritor e psicanalista, e em um dos seus tantos vídeos diz que os alunos têm acesso a toda a informação, e então o professor não conta mais nenhuma novidade, por isso a necessidade de nos atualizarmos e, principalmente, atualizar nossa metodologia, para que os alunos se interessem. Claramente, pensando assim, vemos a importância de sermos mediadores de aulas ricas de descobertas e construções, porque se seguirmos apenas padrões, ditados por livros didáticos, mas ressalto, apenas por eles, estaremos repetindo o que o aluno pode buscar na internet ou em outros meios, e o objetivo é despertar a curiosidade para ir além.

Referências

Acesso em 18/02/2019 <https://www.youtube.com/watch?v=qjyNv42g2XU> Rubem Alves – A Escola Ideal – O papel do professor.

Imagem retirada do link: https://br.freepik.com/vetores-premium/ideia-leve-de-bulbo-com-cerebro-na-lampada_1390003.htm

Qual é o seu tempo?

Adoro falar isso lá em casa. Frequentemente ouvimos de nossos pais e familiares ou até colegas algo do tipo “isso não é do meu tempo”, querendo dizer que não irão mudar ou aprender algo porque não é do tempo deles. Isso se acostumou dizer, é uma resposta a uma comodidade que o tempo dá, e se a gente não busca, ficamos estáticos. Mas esse termo de algo não ser do nosso tempo é engraçado, porque se pensarmos bem, está errado. Se você está vivo hoje, está neste tempo, logo, você vivencia as coisas desse tempo. Sendo assim, você faz parte do agora, se quando você nasceu era diferente, não tem problema, só que as coisas se atualizaram e você precisa acompanhar boa parte delas, porque está vivo. Não é necessário concordar com tudo, mas é necessário respeitar as novas ideias, também não é necessário aprender tudo, desde que tenha consciência de que faz parte do agora.

Fazendo relação com a escola, que é o foco do meu blog, podemos relacionar esse assunto com uma questão bem importante, se atualizar para atender as demandas que as crianças e jovens de hoje necessitam. Um dos temas mais importante debatidos nas escolas e faculdades é que realmente possamos passar algo significativo para os alunos. Isso só dá certo efetivamente se o educador se der conta que os conteúdos básicos, teoricamente explicados os alunos têm acesso em qualquer lugar, na internet, canais de tv, até em seus livros, e é por isso que se fala tanto em usar mais a criatividade, novos projetos, utilizar ferramentas digitais, atividades que chamem atenção e instiguem o aluno a produzir mais, enfim, construir.

E é a partir deste raciocínio que se unem essas ideias, precisamos realmente fazer parte deste tempo, porque os alunos pedem por coisas novas e precisamos estar por dentro. Por isso, quando perceber que está no modo automático, pare e lembre que o nosso tempo é hoje.

Referências

Imagem retirada do link: https://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwj7lrzAsNngAhV4LLkGHSNsBUMQjRx6BAgBEAU&url=https%3A%2F%2Fendeavor.org.br%2Festrategia-e-gestao%2Fmaquina-tempo-para-onde-viajam-os-maiores-empreendedores-brasil%2F&psig=AOvVaw3ZRhPY6qvAWdZMYsk62Smo&ust=1551269736094182

Estamos cortando as asas deles?

Estamos? São os limites que são impostos por professores, muitas vezes sem perceber. Até que ponto deve-se barrar o aluno? É claro que dentro de determinada atividade esperamos certas respostas, mas e onde pode ir a liberdade do aluno de ir além? Ele pode inventar, acrescentar? Pode. Penso que é assim que tem que ser. Precisamos entender que cada aluno tem um processo, uma interpretação diferente das coisas. Por exemplo, para compreender melhor a ideia, imagine que a professora leu aos alunos um conto, e em seguida pediu para eles desenharem sobre o que se tratava o conto, básico. Agora, acreditem, se o conto era sobre a vida de um sapo e o aluno desenhar um sapo, uma árvore e uma casa, há professores que pedirão para o aluno apagar, pois não está certo. É bem aqui, nesse ponto que vejo a liberdade do aluno de imaginar, interpretar, sendo podada. Cada aluno imagina de um jeito o que ouviu ou leu, os sapos podem ser de várias formas, cores, podem estar no rio, em casa, na floresta. Precisamos respeitar a criatividade da imaginação do aluno, os resultados, as produções, não vão ser exatamente como esperamos, mas será de acordo com a capacidade da criança.

Referências

Imagem retirada do link: https://br.depositphotos.com/93961922/stock-photo-open-notebook-with-set-of.html


A importância do protagonismo

Onde entra o protagonismo na sala de aula? Ele está na participação ativa do aluno, e não é só, protagonismo é mais que isso. Significa ir além do que é verbal, é a prática. Insisto muito nesse assunto, porque vejo que quando se produz algo, é menos provável que esse conhecimento se perca. Quando o educando constrói, “põe a mão na massa”, ele fixa muito mais o que aprendeu, e ali vem mais uma palavra importante, o aluno VISUALIZA o que aprendeu. É muito bom a troca de ideias com um grupo, pensar e construir, tentar de novo, até dar certo. E pensando bem, pode-se fazer trabalhos assim em todas as matérias, tanto na área de humanas, como na área das exatas, podemos ser muito criativos! Além disso, temos mais um ponto positivo, quantos talentos podem ser revelados em atividades criativas? Os alunos também vão se descobrindo, conhecendo de tudo, e se reconhecendo em certos temas. Dar a oportunidade da manifestação do aluno, proporcionar que ele tenha a intenção de se expor, é abrir caminhos de construção de sua trajetória.

Referências

Imagem retirada do link: https://pt.depositphotos.com/129355260/stock-illustration-students-presenting-in-front-of.html

Família e escola

Já ouvi muita gente se questionando sobre o papel das escolas e das famílias para as crianças. Tem gente que diz ser a escola a que educa, por pagarem, por acreditarem ser ali o lugar para os filhos aprenderem tudo, ou muitas vezes, por outros motivos. Há quem diga que é a família que educa, ensina os valores, e a escola fica apenas com a parte cognitiva, intelectual, de conteúdos. Mas hoje vim aqui para mostrar uma outra visão que também já ouvi muito, e concordo, a família e a escola trabalham juntas na educação de nossos alunos. Ambos os lados precisam concordar, dialogar, para que a criança saiba para onde ir, como agir.

Desde pequenos vamos ensinando-os, e a personalidade vai sendo construída. Por isso a necessidade das duas partes falarem “a mesma língua”, é como um casamento, se o pai diz “sim”, e a mãe diz “não”, se o pai diz “não vai”, e a mãe diz “pode ir”, quem a criança vai obedecer? Confuso, não? A criança precisa de um norte, precisa ser guiada do jeito certo e se sentir segura. E é assim, na relação família/escola, o entendimento se dá quando todos sabem de suas responsabilidades, participam de tudo, são presentes na vida de nossos alunos. Mas afinal, existe um papel específico para cada um? Não. O que existe é a escola que está ali para ensinar, mas precisa acompanhar os alunos e guiá-los com regras e valores, e a família que educa, mas precisa estar presente na lição de casa, no desenvolvimento do seu filho. Nunca é demais um reforço, de todos os lados.

Referências

Imagem retirada do link: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/751/a-escola-da-familia

Preciso ver sentido!

É muito importante pensarmos sobre isso. Imaginem que um professor está explicando  os estados sólido, líquido e gasoso. Ele então explica, como cada estado se apresenta. Parece simples não é? Agora, quão mais fácil seria para o aluno se entendesse que o gasoso está no vapor da chaleira do seu café, o sólido no gelo do seu suco, é o líquido na água da sua garrafa? Muito mais. Outro exemplo melhor seria uma aula de subtração, de forma simples, apenas com a resolução de exercícios. Como seria o entendimento do aluno se fizessem um mini mercado, onde ele precisa pagar e receber o troco? Bem melhor, porque isso está no dia a dia do aluno. É ali que entra a necessidade de fazer SENTIDO. É preciso que se relacione os conteúdos com a vida dos alunos. E como exatamente age o professor nesse caso? O educador precisa ser o mediador de tudo isso, lançando as ideias, proporcionando desafios, sugiro até que para iniciar um determinado conteúdo se faça primeiro esses questionamentos relacionados a vida do educando, instigando o raciocínio lógico e a curiosidade dos alunos. Como benefícios na aprendizagem, os alunos provavelmente estabelecerão pontes entre os conteúdos e sua vida. Pontes que os ajudarão mais a frente, a compreender de forma completa e sólida, os conteúdos que surgirão, além de se sentirem mais seguros em avaliações que possam surgir.

Referências

Imagem retirada do link: https://br.stockfresh.com/image/4529019/children-and-teacher-on-classroom