EDUCAR: DILEMA ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

Uma inversão de papéis vem ocorrendo em boa parte das relações escola/ família. Uma verdadeira confusão, eu diria. 

Nós, enquanto seres humanos, temos o duro déficit de habilidade de atribuir aos outros, nossas próprias falhas, e por vezes, acreditamos nisso como sendo uma verdade. E é isso que acontece no tema que vamos falar hoje.

Quando os pais não estão conseguindo orientar seus filhos do jeito que gostariam, vemos muitos “largando de mão” e dizendo que isso é função da escola. Da mesma forma, quando o aluno está com o rendimento escolar ruim, ouve-se a mesma coisa. 

Isso indica que é dada a escola toda a carga de responsabilidade sobre este aluno. O que não dará certo, em muitos casos. O motivo é simples, a escola guia de um jeito, e os pais de outro, ou se anulam. O aluno por sua vez, escolhe seus caminhos por si só, sejam eles bons ou ruins.

Há também o outro lado da moeda, há famílias que dos seus filhos cuidam e pouco dão abertura para o diálogo com a escola. Aí está outro problema, porque a criança fica horas na escola, por vezes mais na escola ou em outros locais de ensino sob atenção de professores, do que em casa, com os pais. Daí que julgo necessário entender que a família nem sempre vê tudo o que o filho faz, seu crescimento, ou atitudes que, fora do convívio social, não tem.

E é a partir desses pontos que nos damos conta que nenhuma dessas funções estão no lugar certo. A escola não deve só ensinar, e nem os pais só educar, e muito menos, a escola se responsabilizar pelos dois totalmente, mas sabemos que em casos específicos, isso acontece. Ensinar em nível de aprendizagem é função da escola, e os pais precisam acompanhar e participar, se isso se estende em casa, quão melhor é. Já educar é, primordialmente, função da família. Aquela criança já tem suas referências, e o educador não desconstrói isso, ele dá continuidade. Educar como ser humano, é função majoritária dos pais, e quando a criança vai á escola, ela será amparada também nesse ponto, e socialmente falando, como humana  e cidadã. Essa inversão de papéis ocorre por um simples motivo, não são responsabilidades singulares. Elas precisam seguir juntas, e uma reflete na outra, as questões comportamentais e de aprendizagem compõe o aluno e se misturam em casa e na escola. E é por isso que deve haver uma parceria de ambas. 

O melhor jeito de se ter uma relação saudável entre escola e família, é pelo diálogo. Mas diálogo no sentido de haver um entendimento, de “falarem a mesma língua”, tanto em casa, como na escola. Diálogo no sentido de uma comunicação sincera, onde haja concordância entre as partes, e sobretudo, colaboração. 

Não é possível um ambiente de crescimento saudável ocorrer sem diálogo e coerência, e minimamente, compreensão. Não é possível exigir um caminho de uma criança, se lhe for oferecido vários diferentes pelas pessoas que são sua referência. Não é possível esperar uma postura de uma criança, se você tem outra.

Portanto, é evidente que a família e a escola precisam andar juntas. Elas precisam se apoiar, e cada uma com suas funções e com o que sabem e podem fazer, caminhar unidas em prol dos alunos.

REFERÊNCIAS

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