Category Archives: Relação professor/ aluno

Versatilidade ao orientar

Isto nos remete à algo que sempre ouvimos sem saber porque, mas sabíamos apenas que tínhamos que acatar. O NÃO. Ele é necessário, imprescindível, mas não dizer “não” não significa dizer sim o tempo todo, mas sim substituí-lo por outras opções. Tanto na escola quanto em casa, podemos fazer essa mudança.

Quando dizemos muito não à uma criança duas coisas negativas  acontecem: ela aprende a dizer não pra tudo, e muitas vezes ela não nos atende. Isso aliás, é visto como teimosia, desobediência, mas não é bem isso.

Veja bem, você diz “não faça isso”, e ela NÃO faz o que você disse. E é um ciclo. Mas por quê? Porque o repetitivo “não” faz com que a criança aprenda a dizer não, e ele deixa de ter poder se dito a qualquer custo. Podemos relacionar também esse tema a orientação, nada mais é do que educar. Certos momentos exigem a negação clara, mas, não é sempre. Em muitos deles podemos trocá-lo por sugestões de outras atitudes, é uma forma distinta de orientá-los.

Explicando melhor, a ideia é realmente substituir o não por uma sugestão do que você gostaria que ela/ele fizesse. Por exemplo, com o foco nas escolas, e visando a pedagogia, para uma criança pequena que vai correr na sala, ao invés de dizer “não corre”, chame-o para brincar ou convide para ler um livro. Enfim, trocar por outras possibilidades, ofertar a ideia de outras atitudes. Isso, colabora para a melhoria de outras atitudes também, como o fortalecimento das relações com a turma, a versatilidade para lidar com os determinados e distintos comportamentos que surgiram dia após dia.

Dessa forma, a criança vê o “outro lado” e aprende assim, sem ser submetida a ouvir não o tempo todo. Mas claro, são alternativas, é claro que isso não é para tudo, algumas vezes ele deve ser dito, a questão é o exagero. Lembre-se: o objetivo disso é diminuir o tanto que dizemos “não pode” e apresentar então, o que pode.

Referências

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Conhecimento SIGNIFICATIVO

O que você considera conhecimento significativo? Será que podemos ir além do que precisamos saber? Conhecimento significativo se refere a termos uma bagagem que realmente faça sentido, que possamos utilizar, compreender de verdade. Para entender melhor isso, reflita, em tudo o que aprendeu na escola, tudo faz sentido para você? Os conteúdos que aprendeu você realmente entende e os utiliza em algum momento? Ou decorou para a prova e pronto? Pois é, conhecimento significativo é o que FICA. E precisamos falar disso.

Vamos perceber que ao refletirmos sobre isso vamos passar por outros assuntos que já escrevi, como por exemplo, protagonismo, didática do professor, entre outros, porque para termos um ensino em que o que ensinamos signifique para os alunos, precisamos repensar nossas metodologias.

São infinitas as formas criativas para fazer algo ter realmente sentido para os alunos. A primeira delas que eu julgo importante é RELACIONAR, tudo o que explicamos, seja qual for a matéria, vai fazer mais sentido para o público de aluno que estivermos explicando, se tiver relação com o cotidiano deles. A segunda é a CRIATIVIDADE, para propor atividades dinâmicas, criativas e práticas que os nossos alunos se interessem. E a terceira, mas não menos importante (aliás é a base de um bom relacionamento professor/aluno), a EMPATIA. Ela deve estar presentes em todas essas práticas em sala, pois preza o bom relacionamento, gerando um bom entendimento entre ambos. Como sempre digo, se os alunos gostam do professor, respeitam e admiram, e o professor também respeita seus alunos e dá valor a eles, o rendimento nas aprendizagens é muito maior.

Todos esses pontos juntos colaboram para que os conteúdos não sejam apenas dados, não tendo significado para os alunos, mas sim tenham sentido, e com práticas para cada conteúdo, não só teremos rendimentos de aprendizagem maiores, mas também serão descobertas habilidades de nossos educandos.

Referências

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Professor mediador: um novo jeito de se posicionar

A educação de um tempo para cá está em grande movimentação, alunos das faculdades, e educadores das próprias escolas estão incluindo visões diferentes para com os alunos. Isso é fruto de um assunto que tratei em outro texto, quando falei sobre os nossos alunos estarem mais a frente, com acesso a tudo, e por isso, precisando de algo que realmente os prenda, seja a nossa didática, seja os próprios conteúdos.

Mas, já faz um tempo que venho utilizando esse termo, mas vocês imaginam o que seja? Mediador é aquele que media, auxilia, cria pontes. Mas e qual o significado disso na educação? Pense em um professor com sua turma, ele ocupa o papel de mediador toda a vez que ele passa a auxiliar os alunos, acompanhando-os em certa atividade, orientando mas  sem interferir no que deverão ou não fazer. Me refiro aquele momento em que os alunos pesquisam, produzem e o professor está aí presente indicando hipóteses, mostrando caminhos. Essa ação modifica a ideia que temos do professor ocupando o lugar a frente e a turma como ouvinte, e isso é ótimo, porque os alunos passarão a desenvolver autonomia, uma vez que você oferece métodos, ferramentas, mas deixa que os alunos busquem.

Não é algo fácil, é claro, a posição de mediar, por si só, em qualquer ação já é algo que exige muito discernimento, mas nós podemos. Acredito que muitas vezes só não somos mais dinâmicos nesse sentido, porque estamos acostumados, acomodados, e o tempo passa, e em sala de aula passa bem rápido. Por isso precisamos parar e refletir, nos permitir em “sair da caixa” para mudar algumas de nossas atitudes/métodos de acordo com a nossa realidade e a da nossa turma.

Aliás, esse tema tão importante me faz lembrar de alguém essencial para a nossa educação, para quem não conhece, Rubem Alves, foi educador, escritor e psicanalista, e em um dos seus tantos vídeos diz que os alunos têm acesso a toda a informação, e então o professor não conta mais nenhuma novidade, por isso a necessidade de nos atualizarmos e, principalmente, atualizar nossa metodologia, para que os alunos se interessem. Claramente, pensando assim, vemos a importância de sermos mediadores de aulas ricas de descobertas e construções, porque se seguirmos apenas padrões, ditados por livros didáticos, mas ressalto, apenas por eles, estaremos repetindo o que o aluno pode buscar na internet ou em outros meios, e o objetivo é despertar a curiosidade para ir além.

Referências

Acesso em 18/02/2019 <https://www.youtube.com/watch?v=qjyNv42g2XU> Rubem Alves – A Escola Ideal – O papel do professor.

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Estamos cortando as asas deles?

Estamos? São os limites que são impostos por professores, muitas vezes sem perceber. Até que ponto deve-se barrar o aluno? É claro que dentro de determinada atividade esperamos certas respostas, mas e onde pode ir a liberdade do aluno de ir além? Ele pode inventar, acrescentar? Pode. Penso que é assim que tem que ser. Precisamos entender que cada aluno tem um processo, uma interpretação diferente das coisas. Por exemplo, para compreender melhor a ideia, imagine que a professora leu aos alunos um conto, e em seguida pediu para eles desenharem sobre o que se tratava o conto, básico. Agora, acreditem, se o conto era sobre a vida de um sapo e o aluno desenhar um sapo, uma árvore e uma casa, há professores que pedirão para o aluno apagar, pois não está certo. É bem aqui, nesse ponto que vejo a liberdade do aluno de imaginar, interpretar, sendo podada. Cada aluno imagina de um jeito o que ouviu ou leu, os sapos podem ser de várias formas, cores, podem estar no rio, em casa, na floresta. Precisamos respeitar a criatividade da imaginação do aluno, os resultados, as produções, não vão ser exatamente como esperamos, mas será de acordo com a capacidade da criança.

Referências

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