Category Archives: Alunos

Educação Infantil é brincadeira?

Essa fase é uma delícia! Crianças alegres, inocentes, cheias de energia e com uma capacidade imensa de aprender. É a melhor fase para se trabalhar assuntos importantes com a leveza da brincadeira. 

Há quem diga que educação infantil é focada no brincar e menos no aprender, e eu concordo, mas depende o sentido em que pensarmos. Aprender no sentido de se alfabetizar, realmente não é preciso ter pressa, o que não significa que não se pode incentivar a criança a se familiarizar com as letras e os números. Mas o aprender que me refiro é algo que vai muito mais além. 

É aprender a conviver, aprender a querer, aprender a não poder, aprender a brincar, aprender a criar vínculos, aprender a ter o hábito da curiosidade de querer aprender. Isso tudo se aprende na educação infantil, e só se aprende brincando. Porém muitos são os conflitos que aí surgem, e eles são um problema? Não se forem acolhidos do jeito certo, com seriedade, porque os conflitos das crianças são pequenos para nós, mas são do tamanho delas. 

Educação Infantil é para brincar, sim. Mas com muita seriedade é a fase onde se constrói os primeiros degraus, dá-se os primeiros passos da longa trajetória.

REFERÊNCIAS

Imagem retirada do link:
https://www.eadespacoeducacional.com/curso-online-professores-ed-infantil-creche-pre-escola

A beleza da “PALAVRAMUNDO”

Esse termo foi criado por Paulo Freire, que o descreve em seu livro “A importância do ato de ler”. Com muita criatividade ele nomeia algo que muda a nossa prática diária e é tão simples.

Palavramundo significa a forma com que as crianças vêem o mundo, sua noção de realidade através das experiências. É o seu conhecimento de realidade. E isso pode ser um grande aliado na aprendizagem, vou explicar porquê.

Podemos usar essa visão lá na sala de aula, para introduzir o conteúdo. Nosso ponto de partida será o que os alunos vivem. E certamente, as vivências e os conteúdos irão se encaixar.

Para exemplificar, ao iniciarmos a explicação de um conteúdo, de um determinado assunto, usamos já um exemplo de algo que eles já conhecem, e juntos tecendo as ideias. Fazendo isso, construiremos pontes, que unem o professor com os alunos, une os conteúdos às realidades da vida de cada um. 

Esse processo ocorre desde na educação infantil, onde as crianças que ainda não sabem ler e escrever, já irã tendo noções, construindo suas visões, pelo simples fato de “conhecerem as coisas”. Isso também um conhecimento de realidade.

No ensino fundamental I e II, também pode-se trabalhar com essas ideias. Afinal, mesmo já sendo alunos maiores, ele já tem várias visões, porém também em formação, e mesmo assim podem ocorrer aí trocas valiosas de ideias.

Já no ensino médio, as opiniões e visões estão bem mais consolidadas, e muita coisa já é entendida com maior facilidade, ao passo que pode-se fazer outras comparações com anseios futuros, afinal, a fase pede esses questionamentos.

Os benefícios desse processo são inúmeros. Além dos alunos se identificarem e com isso apreciarem mais as aulas, eles também irão construir relações com o cotidiano, o que facilita a aprendizagem, a fixação dos estudos.

Existe uma certa lógica que por vezes vem sendo esquecida, a escola em seu papel de trabalhar para e pela sociedade, tem a função de unir os estudos com a vida. E não o inverso. Ela não é algo distinto, para ser visto como um divisor, mas sim para somar e acrescentar à vida de nossos educandos.

Portanto, é fundamental que se perceba novas formas de iniciar assuntos em sala de aula, onde o ponto de partida seja sempre os maiores interessados, os alunos. A linguagem convida, entrelaça, e a busca se dá neste o processo, onde se produz os conhecimentos.

Referências

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 1° edição, 1981.

Imagem retirada do link: http://palavramundo.editorasaraiva.com.br/


Da repreensão que cala, ao incentivo que fala

Foi a partir de um desenho que comecei a refletir, suas ideias estão realmente livres para se expor? Ou você fica intimidado pelo que os outros irão achar?

Para começarmos a pensar nisso, vou eleger um ponto importante, os “porquês” de você não expor suas ideias, quaisquer que sejam elas. Pensemos na escola, provavelmente alguma vez na vida você já foi “cortado” e perdeu a coragem de continuar. Já ouvi relatos de pessoas que ainda lembram, claramente, de vezes em que se preparou psicologicamente, minutos que pareciam horas, e quando respirou e foi falar, a professora diz algo que lhe faz engolir o que iria dizer. Talvez a intenção dela não fosse lhe impedir de falar, ela só precisava de silêncio, talvez ela nem soubesse o mal que essa atitude poderia causar a você. Mas na rotina diária, ela não percebeu. 

Você por vezes ia falar, mas até um colega passou em sua frente. Esses exemplos nos fazem pensar que nossa liberdade de expressão tem a ver com o incentivo que nos é dado. Tem a ver com o espaço que temos para colocar nossas ideias.

Sabemos que cada um tem seu jeito e seu tempo, mas como educadores precisamos nos dar conta do importante papel que a escola tem na formação dos indivíduos. Para uma criança, pode ser que a escola seja o único lugar em que alguém a escuta realmente. Isso não pode ser deixado de lado. Eles têm muito a nos dizer. 

É dia após dia que nossos alunos evoluem, eles estão crescendo. O educador tem sim muito a passar para eles, mas juntos têm muito mais para descobrir. 

É preciso enxergar esse processo educativo como uma descoberta diária, e ouvi-los. A escuta é a porta para o protagonismo dos alunos. Dê esse espaço para a fala deles, nada é tão importante quanto a vontade própria de se manifestar. 

Referências

Imagem retirada do link:
http://observacaonuaecrua.blogspot.com/2012/10/expressao-oral-e-pratica-pedagogica.html


Cantando se aprende?

É na sala de aula que nos damos conta. Nem sempre aplicamos o que estudamos, muitas vezes sabemos de muitas coisas que deixamos sem querer, passar. 

E foi em sala que reparei algo que não é novidade, já é comprovado, há tempos, a eficácia da música na aprendizagem. Entre muitos aspectos, ela nos traz benefícios.

Alguns deles que podem ser citados, como por exemplo, a relação que pode ser feita com números, cores, palavras, questões motoras, de percepção, espaço, linguagem e interpretação. São muitos os pontos.

Mas hoje quero focar em uma situação. Como a música colabora na memorização. Isso mesmo. Vou me tomar de um exemplo que vivenciei, onde foi trabalhado de forma sutil com o alfabeto com os pequenos. Notamos que muitos deles não sabem a ordem de todas as letras, inclusive pulam algumas, obviamente. Porém, ao colocar uma música das letras, notei que todos eles cantavam corretamente do início ao fim todas elas. Portanto, me dei conta de que eles sem saber, pelo fato de apenas estarem cantando, falaram todo o alfabeto que, sem ela, não sabem. 

Esse fato me fez refletir que podemos então, trabalhar essa música, de forma a desbravar a letra, passo por juntamente com as crianças. Intencionalmente, de forma com que eles percebam que já tem tudo na ponta da língua. Uma forma por exemplo, é colocar a melodia e instigá-los a eles próprios cantarem, com pausas onde o educador pode estar orientando, por exemplo.

A música por fim, não se torna apenas algo para descontrair, ou fixar algum conteúdo, ou até complementar uma atividade, mas sim, ela se transforma na própria atividade. Uma forma descontraída, criativa e interessante de memorizar e aprender com mais facilidade.

Referência

Imagem retirada do link: https://images.app.goo.gl/TstZELe4W62cRU1QA

Todos podem aprender?

Quem nunca pensou que não tem talento para algo? Aí surgem justificativas do tipo “não sou desta área”, ou até um “não nasci para isso”. Mas vou lhes dizer que não é bem assim. 

O nosso cérebro aprende tudo aquilo que praticamos. Tudo depende do quanto exercitamos. Cada um de nós possui inúmeras capacidades que vão se desenvolvendo mais e mais a partir de quanto a utilizamos e para quê. E este é o ponto que quero enfatizar.

Possuímos a máquina mais eficiente e versátil que existe, sendo assim, tudo o que quisermos aprender ou fazer, com treino e dedicação, conseguiremos. Se quisermos aprender idiomas? Conseguimos! Se quisermos aprender tocar um instrumento? Área de exatas ou humanas? Sim! Todos podemos desenvolver todas as habilidades.

Com exceção dos casos de problemas específicos de aprendizagem, bem como as tendências a aprender com mais facilidade determinadas coisas. Temos, por exemplo, segundo o psicólogo cognitivo Howard Gardner, as sete inteligências, onde ele propõe além de testes de QI, que possuímos uma tendência pessoal de resposta muito mais eficiente para áreas específicas. Ele afirma que cada uma delas está relacionada com uma área de nosso cérebro. Contemplam áreas interpessoal, intrapessoal, espacial visual, musical – auditiva, lógico – matemática, linguagem, corporal sinestésica. 

A partir disso, é que acredito no potencial que é movido pela dedicação. Por exemplo, se alguém diz que não tem talento para escrever, ou que não gosta de ler justificando que não consegue se concentrar, posso dizer que se essa pessoa se esforçar para ler, e se focar nem que tenha reler algumas páginas, ela vai obter um ritmo de leitura e evoluir sua interpretação, com o tempo lerá muito mais em menos tempo. E a escrita? Essa se desenvolve também pela prática, quanto mais se escreve, melhor vai se escrever. É o ato de praticar. Um exercício do cérebro que terá melhores resultados com o tempo.

Dessa forma, complemento dizendo que é com o exercício de ambas as partes, saindo da zona de conforto, se esforçando para trabalhar certa habilidade menos privilegiada, que podemos aprender muito mais coisas, desenvolver muitas outras áreas. 

Referencias utilizadas:

Como seu cérebro aprende?

Imagem retirada do link: 
https://www.selecoes.com.br/saude/10-dicas-para-melhorar-o-cerebro/


Existe autonomia sem o coletivo?

Resolvi refletir sobre a fala de um colega de faculdade, que em certa aula levantou a questão sobre a importância do coletivo e como trabalhar a autonomia sem ele. Vejo esse assunto como imprescindível, bem como concordo que a autonomia só se desenvolve de fato, a partir da convivência, do coletivo. E partir disso, pensemos juntos, qual é o nível de necessidade do coletivo? Onde isso é importante? Por quê?

Vejamos, primeiramente podemos pensar lá na infância, na primeira turma que uma criança inicia, ela antes, tinha em casa um tipo de rotina, de convivência. As trocas e as aprendizagens, os diálogos, eram com seus pais, por exemplo. Ao ir para a escola, ela começa a aprender uma linguagem diferente, a troca é maior, e consequentemente a aprendizagem também, pois a relação é com várias crianças de sua idade. Então, em qual das duas situações a criança desenvolve mais?

Assim, também acontece com nós adultos, na faculdade, no trabalho. Aprendemos mais com a troca de opiniões com o diálogo, com as práticas. Fazendo e refazendo, dando nossas ideias e adquirindo novas, isso só um grande grupo possibilita.

Mas aí, onde entra a autonomia? Ela está presente em todo o processo, se trabalhamos em grupo, estudamos em grupo, saímos de nosso conforto em casa, tudo lá fora será por nossa conta, desde o que falamos, até o que fazemos. E com as crianças, não é diferente. Se a criança vai para a escola, ela precisa cuidar de seu material, precisa entrar em uma rotina, criar hábitos, organizar suas falas e lapidar comportamentos. Isso é o começo da autonomia.

Essas ideias todas nos fazem refletir e reforçam a necessidade de ir a escola, a faculdade, de estar lá. Ser presença nos ambientes coletivos é um grande desafio, atuar em grupo exige aceitar as ideias, expor as suas, e isso não é fácil. Mas é importante e necessário. Isso enriquece. Autonomia sem o coletivo é sim mais difícil de desenvolver.

Referências

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https://silabe.com.br/blog/defasagem-dos-alunos-o-principal-desafio-no-cotidiano-do-professor/