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E o professor?

É muito comum nos preocuparmos com os alunos, afinal, enquanto escola é o nosso dever. Mas será que o olhar aos educadores são só de deveres? E os direitos, são aqueles políticos e financeiros apenas? 

O mesmo olhar sensível, de cuidado e atenção dado aos alunos, para em seguida pensar em seus rendimentos escolares, também precisa ser dado aos seus professores. Já pensou nisso?

Esperamos que os alunos tenham interesse, vontade e motivação de aprender, mas existe alguém que os motiva, e esse alguém é o professor. Só que ele também é um ser humano, que possui capacidades mas também limites, possui vida além de sua profissão, e quem o motiva? Isso é função da instituição, da equipe de trabalho. 

Todos os membros da escola, por exemplo, precisam trabalhar junto, para proporcionar um ambiente saudável, com um olhar atento às questões humanas. Assim como para os alunos, é pensado em suas necessidades básicas, suas emoções, para os educadores isso também precisa acontecer.

E sabem de que forma? Obviamente que precisamos ter o discernimento de separar a vida profissional da pessoal, sim. Mas assim como para as crianças não resolvemos para elas suas questões, mas preparamos uma roda de conversa, um boa tarde carinhoso, uma dinâmica de bom dia, ou até um elogio assim, de graça, para os educadores existem também formas de acolhida. 

O acolhimento é a chave para o profissional se sentir bem e fazer bem seu trabalho ali, onde está. A motivação é que o impulsiona, é ele impulsiona os alunos.

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Tal profe, tal turma?

Propositalmente este título faz referência a expressão “tal pai, tal filho”. Julgo importante e interessante repararmos nisso.

A turma se parece com o professor? Existem inúmeros exemplos que sim, se parecem com o jeito e com a forma como ele também conduz a turma. 

Isso se expressa no seu dia a dia. Se o professor é calmo, tranquilo, aos poucos a turma também será. Se o professor é organizado, seus alunos serão. E se o professor é agitado, sua turma também demonstrará isso.

Vamos analisar, de que forma isso ocorre?

No dia a dia, o professor vai deixando claro seu jeito e suas prioridades. Os alunos, por sua vez, por mais tempo que levem vão se adaptando à sua forma de se organizar, e ao cumprir, levam isso como “certo”. 

A convivência é o fator que colabora para isso. As características do professor vão sendo absorvidas por aqueles seres que, de certa forma pequenos, irão reproduzir. Dia após dia, como na família, a turma se adapta, cumpre e age tão qual o professor coloca seus hábitos.

Além disso, hábitos como deixar a sala em ordem, limpa, também são oriundos dessa relação. Toda ordem ou desordem é aprendida. Vem do exemplo. O exemplo e a prática é o que faz nós, seres humanos, aprendermos efetivamente algo.

Como é notável essa relação. Ao entrar em uma sala de aula logo se vê as características do professor, o que é mais ou menos relevante para ele, pelas atitudes de seus alunos. 

Por isso, se faz tão necessário repensarmos nossas práticas diárias, o que é relevante ou não. E através dessa reflexão poder estar em constante atualização, pelo simples fato de estarmos trabalhando com gente. E gente aprende com o exemplo. 

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Um mais um já são dois

Com o passar dos anos, na escola, de série em série, se aprende e vai-se criando hábitos e formas de se portar nessa sociedade, modos de pensar e de agir. Mas hoje convido-os a pensar que também se desaprende. Querem saber como?

Há um assunto que eu tanto falo, que é sobre a organização dos alunos em sala, trata-se de sentar em círculo e não em fileiras. Isso os professores que praticam já notaram a diferença, bem como eu. 

Mas em uma de minhas conversas com educadores, percebemos que com as turmas de educação infantil isso dá super certo, mas quando os alunos entram no ensino fundamental e médio, quando é proposto esse formato, não dá certo. Então refleti sobre o porquê desse fato. E a resposta é simples.

O sistema educacional nesse quesito, não permite que os alunos continuem com a autonomia de se portar no formato circular como quando na educação infantil, porque ao passarem para os anos iniciais, já os colocamos em fileiras novamente. Ou seja, quando algum professor for propor uma aula em círculo, obviamente que se a turma forma mais agitada, ou algo do gênero, os alunos não saberão agir adequadamente à esse formato coletivo, de forma que o professor possa bem conduzir a aula.

E aí pergunto a vocês, caros leitores, é possível cobrar os alunos sobre essa postura? Em minha humilde opinião, não. Porque não os estimulamos para isso, não os permitimos. Por isso ouvimos relatos de que em grupo certas turmas não funcionam, mas os estimulamos a esse convívio durante todos os dias letivos? Não. Apenas propomos diversas vezes que trabalhem grupo. Mas a lacuna permanece. 

Por isso, simplesmente precisamos proporcionar o momento para ir construindo esse hábito, aliás, ouso dizer que estar inteiramente no coletivo, sabendo ouvir, respeitar e se expor, é uma habilidade a ser desenvolvida. E isso leva tempo, anos. Nossos alunos precisam crescer dessa forma na escola. 

Portanto, enfatizo a importância que há em estimular essa atitude diariamente. O processo inverso do que fazemos, é dar subsídios para depois colher os resultados.

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http://psicologiaaplicadaets.blogspot.com/2017/06/grupos-de-trabalho-nas-organizacoes.html

A sociedade é uma escola

Todo lugar é uma oportunidade que temos em mãos de ensinar. A sociedade também é responsável pelos nossos filhos, alunos, por nós. Nós somos a sociedade, e o que isso quer dizer? Quer dizer que da mesma forma que pensamos a escola como sendo feita por pessoas, e que sem elas são só paredes, a sociedade sem as pessoas é só um termo, uma palavra. Ela é composta por pessoas, por todos nós, e precisamos cuidar dela. 

De que forma? Bem, aí entram os pilares de nossa sociedade, a família, a escola, e mesmo sendo talvez opcional e particular, para boa parte da população, a religião e a política.

Tudo isso compõe a sociedade e através dela nós vivemos, convivemos e aprendemos. A meu ver, aí estão as oportunidades de educar uma criança. Um bom exemplo é ida à uma loja, um supermercado. Quantas coisas podem ser aprendidas aí? É uma boa oportunidade para mostrar questões monetárias, na hora do caixa. É a chance de dar o exemplo na fila, esperando com calma pois há mais gente na frente, ou até educação alimentar, o que é saudável e o que não se pode comer sempre.

Mas esse movimento só se faz efetivamente se aproveitarmos as oportunidades. Todos os locais são de aprender, em casa, na escola, na praça ao domingo, pode ser incentivado o cuidado com a natureza e o respeito com as outras crianças.  nos diversos lugares da sociedade. Ali podemos incentivar a autonomia, a paciência e o respeito.

Assim, todos esses exemplos de atitudes que por vezes não percebemos, são as chances que temos de incentivá-los sem que seja apenas tarefa da escola. São tantos os lugares e tanto para nossos pequenos aprenderem desde cedo. Para nós, parece óbvio, e nos esquecemos que para eles, com poucos anos de vida, é tudo se torna novidade. A sociedade educa, ela também é uma escola.

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https://observer.com/2012/09/hip-hip-spura-land-use-committee-approves-lower-east-side-development-plan/
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EDUCAR: DILEMA ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

Uma inversão de papéis vem ocorrendo em boa parte das relações escola/ família. Uma verdadeira confusão, eu diria. 

Nós, enquanto seres humanos, temos o duro déficit de habilidade de atribuir aos outros, nossas próprias falhas, e por vezes, acreditamos nisso como sendo uma verdade. E é isso que acontece no tema que vamos falar hoje.

Quando os pais não estão conseguindo orientar seus filhos do jeito que gostariam, vemos muitos “largando de mão” e dizendo que isso é função da escola. Da mesma forma, quando o aluno está com o rendimento escolar ruim, ouve-se a mesma coisa. 

Isso indica que é dada a escola toda a carga de responsabilidade sobre este aluno. O que não dará certo, em muitos casos. O motivo é simples, a escola guia de um jeito, e os pais de outro, ou se anulam. O aluno por sua vez, escolhe seus caminhos por si só, sejam eles bons ou ruins.

Há também o outro lado da moeda, há famílias que dos seus filhos cuidam e pouco dão abertura para o diálogo com a escola. Aí está outro problema, porque a criança fica horas na escola, por vezes mais na escola ou em outros locais de ensino sob atenção de professores, do que em casa, com os pais. Daí que julgo necessário entender que a família nem sempre vê tudo o que o filho faz, seu crescimento, ou atitudes que, fora do convívio social, não tem.

E é a partir desses pontos que nos damos conta que nenhuma dessas funções estão no lugar certo. A escola não deve só ensinar, e nem os pais só educar, e muito menos, a escola se responsabilizar pelos dois totalmente, mas sabemos que em casos específicos, isso acontece. Ensinar em nível de aprendizagem é função da escola, e os pais precisam acompanhar e participar, se isso se estende em casa, quão melhor é. Já educar é, primordialmente, função da família. Aquela criança já tem suas referências, e o educador não desconstrói isso, ele dá continuidade. Educar como ser humano, é função majoritária dos pais, e quando a criança vai á escola, ela será amparada também nesse ponto, e socialmente falando, como humana  e cidadã. Essa inversão de papéis ocorre por um simples motivo, não são responsabilidades singulares. Elas precisam seguir juntas, e uma reflete na outra, as questões comportamentais e de aprendizagem compõe o aluno e se misturam em casa e na escola. E é por isso que deve haver uma parceria de ambas. 

O melhor jeito de se ter uma relação saudável entre escola e família, é pelo diálogo. Mas diálogo no sentido de haver um entendimento, de “falarem a mesma língua”, tanto em casa, como na escola. Diálogo no sentido de uma comunicação sincera, onde haja concordância entre as partes, e sobretudo, colaboração. 

Não é possível um ambiente de crescimento saudável ocorrer sem diálogo e coerência, e minimamente, compreensão. Não é possível exigir um caminho de uma criança, se lhe for oferecido vários diferentes pelas pessoas que são sua referência. Não é possível esperar uma postura de uma criança, se você tem outra.

Portanto, é evidente que a família e a escola precisam andar juntas. Elas precisam se apoiar, e cada uma com suas funções e com o que sabem e podem fazer, caminhar unidas em prol dos alunos.

REFERÊNCIAS

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https://www.shutterstock.com/es/image-vector/vector-illustration-collection-children-drawings-300068771?id=300068771&irgwc=1&utm_medium=Affiliate&utm_campaign=Freepik+Company%2C+S.L.&utm_source=39422&utm_term=5da6009475163.5da6009475164

A beleza da “PALAVRAMUNDO”

Esse termo foi criado por Paulo Freire, que o descreve em seu livro “A importância do ato de ler”. Com muita criatividade ele nomeia algo que muda a nossa prática diária e é tão simples.

Palavramundo significa a forma com que as crianças vêem o mundo, sua noção de realidade através das experiências. É o seu conhecimento de realidade. E isso pode ser um grande aliado na aprendizagem, vou explicar porquê.

Podemos usar essa visão lá na sala de aula, para introduzir o conteúdo. Nosso ponto de partida será o que os alunos vivem. E certamente, as vivências e os conteúdos irão se encaixar.

Para exemplificar, ao iniciarmos a explicação de um conteúdo, de um determinado assunto, usamos já um exemplo de algo que eles já conhecem, e juntos tecendo as ideias. Fazendo isso, construiremos pontes, que unem o professor com os alunos, une os conteúdos às realidades da vida de cada um. 

Esse processo ocorre desde na educação infantil, onde as crianças que ainda não sabem ler e escrever, já irã tendo noções, construindo suas visões, pelo simples fato de “conhecerem as coisas”. Isso também um conhecimento de realidade.

No ensino fundamental I e II, também pode-se trabalhar com essas ideias. Afinal, mesmo já sendo alunos maiores, ele já tem várias visões, porém também em formação, e mesmo assim podem ocorrer aí trocas valiosas de ideias.

Já no ensino médio, as opiniões e visões estão bem mais consolidadas, e muita coisa já é entendida com maior facilidade, ao passo que pode-se fazer outras comparações com anseios futuros, afinal, a fase pede esses questionamentos.

Os benefícios desse processo são inúmeros. Além dos alunos se identificarem e com isso apreciarem mais as aulas, eles também irão construir relações com o cotidiano, o que facilita a aprendizagem, a fixação dos estudos.

Existe uma certa lógica que por vezes vem sendo esquecida, a escola em seu papel de trabalhar para e pela sociedade, tem a função de unir os estudos com a vida. E não o inverso. Ela não é algo distinto, para ser visto como um divisor, mas sim para somar e acrescentar à vida de nossos educandos.

Portanto, é fundamental que se perceba novas formas de iniciar assuntos em sala de aula, onde o ponto de partida seja sempre os maiores interessados, os alunos. A linguagem convida, entrelaça, e a busca se dá neste o processo, onde se produz os conhecimentos.

Referências

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 1° edição, 1981.

Imagem retirada do link: http://palavramundo.editorasaraiva.com.br/


Da repreensão que cala, ao incentivo que fala

Foi a partir de um desenho que comecei a refletir, suas ideias estão realmente livres para se expor? Ou você fica intimidado pelo que os outros irão achar?

Para começarmos a pensar nisso, vou eleger um ponto importante, os “porquês” de você não expor suas ideias, quaisquer que sejam elas. Pensemos na escola, provavelmente alguma vez na vida você já foi “cortado” e perdeu a coragem de continuar. Já ouvi relatos de pessoas que ainda lembram, claramente, de vezes em que se preparou psicologicamente, minutos que pareciam horas, e quando respirou e foi falar, a professora diz algo que lhe faz engolir o que iria dizer. Talvez a intenção dela não fosse lhe impedir de falar, ela só precisava de silêncio, talvez ela nem soubesse o mal que essa atitude poderia causar a você. Mas na rotina diária, ela não percebeu. 

Você por vezes ia falar, mas até um colega passou em sua frente. Esses exemplos nos fazem pensar que nossa liberdade de expressão tem a ver com o incentivo que nos é dado. Tem a ver com o espaço que temos para colocar nossas ideias.

Sabemos que cada um tem seu jeito e seu tempo, mas como educadores precisamos nos dar conta do importante papel que a escola tem na formação dos indivíduos. Para uma criança, pode ser que a escola seja o único lugar em que alguém a escuta realmente. Isso não pode ser deixado de lado. Eles têm muito a nos dizer. 

É dia após dia que nossos alunos evoluem, eles estão crescendo. O educador tem sim muito a passar para eles, mas juntos têm muito mais para descobrir. 

É preciso enxergar esse processo educativo como uma descoberta diária, e ouvi-los. A escuta é a porta para o protagonismo dos alunos. Dê esse espaço para a fala deles, nada é tão importante quanto a vontade própria de se manifestar. 

Referências

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http://observacaonuaecrua.blogspot.com/2012/10/expressao-oral-e-pratica-pedagogica.html


Aprender pela curiosidade

O processo de aprendizagem é particular de cada um, sabemos que para ela existem formas diferentes e individuais ao longo do processo, mas existe algo que pode ser comum, o ponto de partida. Mesmo o desenvolvimento estando intimamente ligado com características pessoais do ser, podemos  partir de um mesmo ponto para introduzir os conceitos. E será um pouco diferente do usual, vamos sair da caixa.

Para iniciar, vamos pensar  em uma turma em determinada sala de aula, onde se inicia um conteúdo. O educador certamente começa já falando do assunto e os alunos irão acompanhar. Talvez, após toda a explicação, que pode levar muito mais que uma aula, claro, eles farão algum trabalho prático, de campo na melhor das hipóteses. Tudo bem até então.

Mas aí pergunto, os alunos realmente se interessaram pelo assunto? Muitos sim, mas talvez nem todos, e obviamente, dessa mesma forma pode ocorrer mesmo se o educador mudar sua metodologia, como vou sugerir.  Acontece que, o objetivo dessa mudança não é que todos amem sua aula, mas sim que desperte verdadeiramente a curiosidade neles o máximo possível. E é através dela que iremos repensar nossas metodologias.

Contextualizando-nos na etimologia da palavra, curiosidade vem do Latim curiositas, “desejo de conhecer, de se informar”. Isso nos faz pensar que se somos curiosos, desejamos conhecer algo, então isso nos move e nos faz buscar. E é isso que acontece com uma turma quando despertamos esse movimento neles, eles aprenderão o conteúdo com uma curiosidade inicial, uma vontade própria, que partiu  não somente do educador, mas sim de cada um deles. 

A partir daí, podemos dizer que o aluno irá querer conhecer mais sobre o tema, vai se interessar em estudar e vai absorver e aprender com muito mais qualidade, porque aflorou seu interesse. Agora, a questão é, como fazer isso?

Bem, isso é processo inverso de metodologia. Para sair da caixa, basta lançar um exemplo a partir de uma realidade do cotidiano, que eles conheçam, e lançar a proposta para que eles pesquisem. Forneça então, educador, um espaço de busca, seja na internet ou nos livros, após isso, promova um momento para que eles compartilhem, e a partir daí comece a explicar o conteúdo. Certamente, esse exercício proporcionará uma maior fixação dos conteúdos para os alunos.

Isso é sair da caixa. Isso é aprender a partir da curiosidade.

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https://www.unicesumar.edu.br/blog/mba-em-marketing-criatividade-e-inovacao/  

Saindo da caixa: aulas em círculo

Naturalmente, nós não vemos necessidade em fazermos círculos com os alunos, por razões primeiramente históricas. Em um de meus primeiros textos, citei a era industrial como sendo o fator que originou a forma de se organizar em fila, para concentrar-se em algo e produzir. 

Diante disso, repito a vocês questionando se isso faz ainda algum sentido nos dias de hoje. É um assunto delicado, porém é necessário nos perguntarmos o porquê de certas atitudes e se ainda cabe. Tudo evolui, as gerações evoluem, mas tem que se encaixar nos métodos antigos?

Existem dois lados para pensarmos. O primeiro é como seria esse jeito diferente, circular, de se organizar e em como isso pode ser positivo. Já o segundo, é pensarmos que isso sozinho não faz diferença se não vier com novas intenções metodológicas. Ou seja, mudanças podem ocorrer, por vezes, sem se adaptar à mudanças organizacionais.

Sentar organizadamente um atrás do outro, nos restringe, tendo um menor contato direto com os outros, dando a falsa impressão que nos concentramos mais, quando na verdade não. Parece que nossos alunos não irão conversar com os colegas, porém isso não é verdade. E os alunos então, ficam olhando as costas uns dos outros. Aí entra a questão do círculo, e pergunto, e ouso dizer que, temos um material base para a aprendizagem que não é aproveitado, pelo contrário, é evitado, os colegas de classe, ideias alheias a sua. Outras mentes pensantes.

O processo circular permite uma interação direta com os outros, olho no olho, com direito a conversa, e automaticamente, com as mesmas reações do educador a esse fato, eles irão se cuidar com os excessos. E é ainda melhor porque tendo esse contato, eles saberão respeitar as opiniões ao seu redor e conviver com a vez do outro de falar, por exemplo. Reforço então, que é com a prática que se aprende. Constrói-se ali, um espaço de troca, para uma aprendizagem ainda mais rica.

Porém, essa minha crítica ao modelo tradicional de organização em sala de aula, não se restringe apenas a ele próprio, mas sim estendo às metodologias do educador. Isso faz toda a diferença também. De nada adianta um modelo circular se o professor não permite uma comunicação saudável, por exemplo. Portanto, lembremos de que há escolas que fazem um excelente trabalho de várias maneiras, mas temos um longo caminho pela frente.

Referências

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http://www.adventista.edu.br/_imagens/area_academica/files/A%20organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20espa%C3%A7o%20em%20sala%20de%20aula.pdf

Para onde me leva tudo o que eu levo?

Tudo o que aprendemos ao longo da nossa trajetória escolar tende a ser uma bagagem que, ano após ano, vamos aprendendo mais e ligando um conhecimento à outro. Esse movimento vai nos agregando muitas aprendizagens. 

Mas o fato é que, temos a necessidade de que as coisas tenham sentido, conhecimentos sempre acrescentam, porém podem ser em vão. Por isso precisamos pensar para onde vão estes conhecimentos. Mais do que isso, para onde eles nos levam?

Logo, na escola vamos aumentando essa bagagem, mas a pergunta que devemos nos fazer é, os conhecimentos agregam para? Essa preposição tem algo a nos dizer. 

Neste contexto, ela indica um rumo, rumo este que só quem sabe é cada um, mas a escola, a metodologia do educador, podem ajudar a identificar isso. É preciso estabelecer ligações dos conteúdos para com o dia a dia dos alunos, com a vida dos alunos e com o que está a sua volta. Pensem comigo, em um exemplo simples, em uma aula de biologia, os alunos estão estudando os seres vivos, por vezes é passado o conteúdo sem construir relações para além das paredes da escola, ou seja, com os seres vivos que nos rodeiam, e se dar conta de que eles não foram criados a partir de um estudo, mas sim os estudos são feitos a partir de sua existência. Isso mostra que estabelecer essas relações “situa” o aluno em uma realidade, além de dar mais valor aos conteúdos. 

Agora, vejam como temos um processo muitas vezes inconsciente de acomodação, por uma falsa ideia já implantada de que quanto maiores os alunos, mais teoria e menos prática. Os conteúdos realmente são mais densos, mas dosar é o caminho, aqui me refiro aos excessos, principalmente a escassez. 

Vou exemplificar esta ideia, lembrando-os de que na educação infantil e até nos anos iniciais, por vezes os conteúdos que estão no nosso planejamento, obviamente em uma intensidade bem menor, são inseridos com a prática. Eles são experimentados. Agora pergunto, por que não continuar assim? É claro que pela exigência de um ensino médio, e pelo tamanho do currículo escolar, isso precisa ser adaptado e um tanto quanto esporádico. Mas volto a dizer, o problema é o excesso. Ou demais, ou de menos.

Outro ponto importante para se destacar, é se voltar para o educando, e nesse contexto, perceber que ele vai também construindo pontes entre sua vida e os conceitos, e com muita dedicação e interesse, interesse do qual foi instigado pelo gosto de aprender, e irão se identificar, ao caminhar para a vida acadêmica, por exemplo. 

Dessa forma, entendo que com alunos e professores juntos construindo pontes com a realidade, unindo a teoria com a prática, tornamos o invisível, visível. Damos sentido a toda aquela bagagem que temos, e muitas vezes não sabemos para onde ir com ela.

REFERÊNCIAS

Imagem retirada do link: https://floridachristianuniversity.edu/2019/01/16/educacao-continuada-o-caminho-certo-para-o-sucesso/