Monthly Archives: Outubro 2019

Um mais um já são dois

Com o passar dos anos, na escola, de série em série, se aprende e vai-se criando hábitos e formas de se portar nessa sociedade, modos de pensar e de agir. Mas hoje convido-os a pensar que também se desaprende. Querem saber como?

Há um assunto que eu tanto falo, que é sobre a organização dos alunos em sala, trata-se de sentar em círculo e não em fileiras. Isso os professores que praticam já notaram a diferença, bem como eu. 

Mas em uma de minhas conversas com educadores, percebemos que com as turmas de educação infantil isso dá super certo, mas quando os alunos entram no ensino fundamental e médio, quando é proposto esse formato, não dá certo. Então refleti sobre o porquê desse fato. E a resposta é simples.

O sistema educacional nesse quesito, não permite que os alunos continuem com a autonomia de se portar no formato circular como quando na educação infantil, porque ao passarem para os anos iniciais, já os colocamos em fileiras novamente. Ou seja, quando algum professor for propor uma aula em círculo, obviamente que se a turma forma mais agitada, ou algo do gênero, os alunos não saberão agir adequadamente à esse formato coletivo, de forma que o professor possa bem conduzir a aula.

E aí pergunto a vocês, caros leitores, é possível cobrar os alunos sobre essa postura? Em minha humilde opinião, não. Porque não os estimulamos para isso, não os permitimos. Por isso ouvimos relatos de que em grupo certas turmas não funcionam, mas os estimulamos a esse convívio durante todos os dias letivos? Não. Apenas propomos diversas vezes que trabalhem grupo. Mas a lacuna permanece. 

Por isso, simplesmente precisamos proporcionar o momento para ir construindo esse hábito, aliás, ouso dizer que estar inteiramente no coletivo, sabendo ouvir, respeitar e se expor, é uma habilidade a ser desenvolvida. E isso leva tempo, anos. Nossos alunos precisam crescer dessa forma na escola. 

Portanto, enfatizo a importância que há em estimular essa atitude diariamente. O processo inverso do que fazemos, é dar subsídios para depois colher os resultados.

Referências

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http://psicologiaaplicadaets.blogspot.com/2017/06/grupos-de-trabalho-nas-organizacoes.html

A sociedade é uma escola

Todo lugar é uma oportunidade que temos em mãos de ensinar. A sociedade também é responsável pelos nossos filhos, alunos, por nós. Nós somos a sociedade, e o que isso quer dizer? Quer dizer que da mesma forma que pensamos a escola como sendo feita por pessoas, e que sem elas são só paredes, a sociedade sem as pessoas é só um termo, uma palavra. Ela é composta por pessoas, por todos nós, e precisamos cuidar dela. 

De que forma? Bem, aí entram os pilares de nossa sociedade, a família, a escola, e mesmo sendo talvez opcional e particular, para boa parte da população, a religião e a política.

Tudo isso compõe a sociedade e através dela nós vivemos, convivemos e aprendemos. A meu ver, aí estão as oportunidades de educar uma criança. Um bom exemplo é ida à uma loja, um supermercado. Quantas coisas podem ser aprendidas aí? É uma boa oportunidade para mostrar questões monetárias, na hora do caixa. É a chance de dar o exemplo na fila, esperando com calma pois há mais gente na frente, ou até educação alimentar, o que é saudável e o que não se pode comer sempre.

Mas esse movimento só se faz efetivamente se aproveitarmos as oportunidades. Todos os locais são de aprender, em casa, na escola, na praça ao domingo, pode ser incentivado o cuidado com a natureza e o respeito com as outras crianças.  nos diversos lugares da sociedade. Ali podemos incentivar a autonomia, a paciência e o respeito.

Assim, todos esses exemplos de atitudes que por vezes não percebemos, são as chances que temos de incentivá-los sem que seja apenas tarefa da escola. São tantos os lugares e tanto para nossos pequenos aprenderem desde cedo. Para nós, parece óbvio, e nos esquecemos que para eles, com poucos anos de vida, é tudo se torna novidade. A sociedade educa, ela também é uma escola.

Referências

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https://observer.com/2012/09/hip-hip-spura-land-use-committee-approves-lower-east-side-development-plan/
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EDUCAR: DILEMA ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

Uma inversão de papéis vem ocorrendo em boa parte das relações escola/ família. Uma verdadeira confusão, eu diria. 

Nós, enquanto seres humanos, temos o duro déficit de habilidade de atribuir aos outros, nossas próprias falhas, e por vezes, acreditamos nisso como sendo uma verdade. E é isso que acontece no tema que vamos falar hoje.

Quando os pais não estão conseguindo orientar seus filhos do jeito que gostariam, vemos muitos “largando de mão” e dizendo que isso é função da escola. Da mesma forma, quando o aluno está com o rendimento escolar ruim, ouve-se a mesma coisa. 

Isso indica que é dada a escola toda a carga de responsabilidade sobre este aluno. O que não dará certo, em muitos casos. O motivo é simples, a escola guia de um jeito, e os pais de outro, ou se anulam. O aluno por sua vez, escolhe seus caminhos por si só, sejam eles bons ou ruins.

Há também o outro lado da moeda, há famílias que dos seus filhos cuidam e pouco dão abertura para o diálogo com a escola. Aí está outro problema, porque a criança fica horas na escola, por vezes mais na escola ou em outros locais de ensino sob atenção de professores, do que em casa, com os pais. Daí que julgo necessário entender que a família nem sempre vê tudo o que o filho faz, seu crescimento, ou atitudes que, fora do convívio social, não tem.

E é a partir desses pontos que nos damos conta que nenhuma dessas funções estão no lugar certo. A escola não deve só ensinar, e nem os pais só educar, e muito menos, a escola se responsabilizar pelos dois totalmente, mas sabemos que em casos específicos, isso acontece. Ensinar em nível de aprendizagem é função da escola, e os pais precisam acompanhar e participar, se isso se estende em casa, quão melhor é. Já educar é, primordialmente, função da família. Aquela criança já tem suas referências, e o educador não desconstrói isso, ele dá continuidade. Educar como ser humano, é função majoritária dos pais, e quando a criança vai á escola, ela será amparada também nesse ponto, e socialmente falando, como humana  e cidadã. Essa inversão de papéis ocorre por um simples motivo, não são responsabilidades singulares. Elas precisam seguir juntas, e uma reflete na outra, as questões comportamentais e de aprendizagem compõe o aluno e se misturam em casa e na escola. E é por isso que deve haver uma parceria de ambas. 

O melhor jeito de se ter uma relação saudável entre escola e família, é pelo diálogo. Mas diálogo no sentido de haver um entendimento, de “falarem a mesma língua”, tanto em casa, como na escola. Diálogo no sentido de uma comunicação sincera, onde haja concordância entre as partes, e sobretudo, colaboração. 

Não é possível um ambiente de crescimento saudável ocorrer sem diálogo e coerência, e minimamente, compreensão. Não é possível exigir um caminho de uma criança, se lhe for oferecido vários diferentes pelas pessoas que são sua referência. Não é possível esperar uma postura de uma criança, se você tem outra.

Portanto, é evidente que a família e a escola precisam andar juntas. Elas precisam se apoiar, e cada uma com suas funções e com o que sabem e podem fazer, caminhar unidas em prol dos alunos.

REFERÊNCIAS

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https://www.shutterstock.com/es/image-vector/vector-illustration-collection-children-drawings-300068771?id=300068771&irgwc=1&utm_medium=Affiliate&utm_campaign=Freepik+Company%2C+S.L.&utm_source=39422&utm_term=5da6009475163.5da6009475164

A beleza da “PALAVRAMUNDO”

Esse termo foi criado por Paulo Freire, que o descreve em seu livro “A importância do ato de ler”. Com muita criatividade ele nomeia algo que muda a nossa prática diária e é tão simples.

Palavramundo significa a forma com que as crianças vêem o mundo, sua noção de realidade através das experiências. É o seu conhecimento de realidade. E isso pode ser um grande aliado na aprendizagem, vou explicar porquê.

Podemos usar essa visão lá na sala de aula, para introduzir o conteúdo. Nosso ponto de partida será o que os alunos vivem. E certamente, as vivências e os conteúdos irão se encaixar.

Para exemplificar, ao iniciarmos a explicação de um conteúdo, de um determinado assunto, usamos já um exemplo de algo que eles já conhecem, e juntos tecendo as ideias. Fazendo isso, construiremos pontes, que unem o professor com os alunos, une os conteúdos às realidades da vida de cada um. 

Esse processo ocorre desde na educação infantil, onde as crianças que ainda não sabem ler e escrever, já irã tendo noções, construindo suas visões, pelo simples fato de “conhecerem as coisas”. Isso também um conhecimento de realidade.

No ensino fundamental I e II, também pode-se trabalhar com essas ideias. Afinal, mesmo já sendo alunos maiores, ele já tem várias visões, porém também em formação, e mesmo assim podem ocorrer aí trocas valiosas de ideias.

Já no ensino médio, as opiniões e visões estão bem mais consolidadas, e muita coisa já é entendida com maior facilidade, ao passo que pode-se fazer outras comparações com anseios futuros, afinal, a fase pede esses questionamentos.

Os benefícios desse processo são inúmeros. Além dos alunos se identificarem e com isso apreciarem mais as aulas, eles também irão construir relações com o cotidiano, o que facilita a aprendizagem, a fixação dos estudos.

Existe uma certa lógica que por vezes vem sendo esquecida, a escola em seu papel de trabalhar para e pela sociedade, tem a função de unir os estudos com a vida. E não o inverso. Ela não é algo distinto, para ser visto como um divisor, mas sim para somar e acrescentar à vida de nossos educandos.

Portanto, é fundamental que se perceba novas formas de iniciar assuntos em sala de aula, onde o ponto de partida seja sempre os maiores interessados, os alunos. A linguagem convida, entrelaça, e a busca se dá neste o processo, onde se produz os conhecimentos.

Referências

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 1° edição, 1981.

Imagem retirada do link: http://palavramundo.editorasaraiva.com.br/


Da repreensão que cala, ao incentivo que fala

Foi a partir de um desenho que comecei a refletir, suas ideias estão realmente livres para se expor? Ou você fica intimidado pelo que os outros irão achar?

Para começarmos a pensar nisso, vou eleger um ponto importante, os “porquês” de você não expor suas ideias, quaisquer que sejam elas. Pensemos na escola, provavelmente alguma vez na vida você já foi “cortado” e perdeu a coragem de continuar. Já ouvi relatos de pessoas que ainda lembram, claramente, de vezes em que se preparou psicologicamente, minutos que pareciam horas, e quando respirou e foi falar, a professora diz algo que lhe faz engolir o que iria dizer. Talvez a intenção dela não fosse lhe impedir de falar, ela só precisava de silêncio, talvez ela nem soubesse o mal que essa atitude poderia causar a você. Mas na rotina diária, ela não percebeu. 

Você por vezes ia falar, mas até um colega passou em sua frente. Esses exemplos nos fazem pensar que nossa liberdade de expressão tem a ver com o incentivo que nos é dado. Tem a ver com o espaço que temos para colocar nossas ideias.

Sabemos que cada um tem seu jeito e seu tempo, mas como educadores precisamos nos dar conta do importante papel que a escola tem na formação dos indivíduos. Para uma criança, pode ser que a escola seja o único lugar em que alguém a escuta realmente. Isso não pode ser deixado de lado. Eles têm muito a nos dizer. 

É dia após dia que nossos alunos evoluem, eles estão crescendo. O educador tem sim muito a passar para eles, mas juntos têm muito mais para descobrir. 

É preciso enxergar esse processo educativo como uma descoberta diária, e ouvi-los. A escuta é a porta para o protagonismo dos alunos. Dê esse espaço para a fala deles, nada é tão importante quanto a vontade própria de se manifestar. 

Referências

Imagem retirada do link:
http://observacaonuaecrua.blogspot.com/2012/10/expressao-oral-e-pratica-pedagogica.html