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Aprender pela curiosidade

O processo de aprendizagem é particular de cada um, sabemos que para ela existem formas diferentes e individuais ao longo do processo, mas existe algo que pode ser comum, o ponto de partida. Mesmo o desenvolvimento estando intimamente ligado com características pessoais do ser, podemos  partir de um mesmo ponto para introduzir os conceitos. E será um pouco diferente do usual, vamos sair da caixa.

Para iniciar, vamos pensar  em uma turma em determinada sala de aula, onde se inicia um conteúdo. O educador certamente começa já falando do assunto e os alunos irão acompanhar. Talvez, após toda a explicação, que pode levar muito mais que uma aula, claro, eles farão algum trabalho prático, de campo na melhor das hipóteses. Tudo bem até então.

Mas aí pergunto, os alunos realmente se interessaram pelo assunto? Muitos sim, mas talvez nem todos, e obviamente, dessa mesma forma pode ocorrer mesmo se o educador mudar sua metodologia, como vou sugerir.  Acontece que, o objetivo dessa mudança não é que todos amem sua aula, mas sim que desperte verdadeiramente a curiosidade neles o máximo possível. E é através dela que iremos repensar nossas metodologias.

Contextualizando-nos na etimologia da palavra, curiosidade vem do Latim curiositas, “desejo de conhecer, de se informar”. Isso nos faz pensar que se somos curiosos, desejamos conhecer algo, então isso nos move e nos faz buscar. E é isso que acontece com uma turma quando despertamos esse movimento neles, eles aprenderão o conteúdo com uma curiosidade inicial, uma vontade própria, que partiu  não somente do educador, mas sim de cada um deles. 

A partir daí, podemos dizer que o aluno irá querer conhecer mais sobre o tema, vai se interessar em estudar e vai absorver e aprender com muito mais qualidade, porque aflorou seu interesse. Agora, a questão é, como fazer isso?

Bem, isso é processo inverso de metodologia. Para sair da caixa, basta lançar um exemplo a partir de uma realidade do cotidiano, que eles conheçam, e lançar a proposta para que eles pesquisem. Forneça então, educador, um espaço de busca, seja na internet ou nos livros, após isso, promova um momento para que eles compartilhem, e a partir daí comece a explicar o conteúdo. Certamente, esse exercício proporcionará uma maior fixação dos conteúdos para os alunos.

Isso é sair da caixa. Isso é aprender a partir da curiosidade.

Referências

Imagem retirada do link:
https://www.unicesumar.edu.br/blog/mba-em-marketing-criatividade-e-inovacao/  

Saindo da caixa: aulas em círculo

Naturalmente, nós não vemos necessidade em fazermos círculos com os alunos, por razões primeiramente históricas. Em um de meus primeiros textos, citei a era industrial como sendo o fator que originou a forma de se organizar em fila, para concentrar-se em algo e produzir. 

Diante disso, repito a vocês questionando se isso faz ainda algum sentido nos dias de hoje. É um assunto delicado, porém é necessário nos perguntarmos o porquê de certas atitudes e se ainda cabe. Tudo evolui, as gerações evoluem, mas tem que se encaixar nos métodos antigos?

Existem dois lados para pensarmos. O primeiro é como seria esse jeito diferente, circular, de se organizar e em como isso pode ser positivo. Já o segundo, é pensarmos que isso sozinho não faz diferença se não vier com novas intenções metodológicas. Ou seja, mudanças podem ocorrer, por vezes, sem se adaptar à mudanças organizacionais.

Sentar organizadamente um atrás do outro, nos restringe, tendo um menor contato direto com os outros, dando a falsa impressão que nos concentramos mais, quando na verdade não. Parece que nossos alunos não irão conversar com os colegas, porém isso não é verdade. E os alunos então, ficam olhando as costas uns dos outros. Aí entra a questão do círculo, e pergunto, e ouso dizer que, temos um material base para a aprendizagem que não é aproveitado, pelo contrário, é evitado, os colegas de classe, ideias alheias a sua. Outras mentes pensantes.

O processo circular permite uma interação direta com os outros, olho no olho, com direito a conversa, e automaticamente, com as mesmas reações do educador a esse fato, eles irão se cuidar com os excessos. E é ainda melhor porque tendo esse contato, eles saberão respeitar as opiniões ao seu redor e conviver com a vez do outro de falar, por exemplo. Reforço então, que é com a prática que se aprende. Constrói-se ali, um espaço de troca, para uma aprendizagem ainda mais rica.

Porém, essa minha crítica ao modelo tradicional de organização em sala de aula, não se restringe apenas a ele próprio, mas sim estendo às metodologias do educador. Isso faz toda a diferença também. De nada adianta um modelo circular se o professor não permite uma comunicação saudável, por exemplo. Portanto, lembremos de que há escolas que fazem um excelente trabalho de várias maneiras, mas temos um longo caminho pela frente.

Referências

Imagem retirada do link:
http://www.adventista.edu.br/_imagens/area_academica/files/A%20organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20espa%C3%A7o%20em%20sala%20de%20aula.pdf

Para onde me leva tudo o que eu levo?

Tudo o que aprendemos ao longo da nossa trajetória escolar tende a ser uma bagagem que, ano após ano, vamos aprendendo mais e ligando um conhecimento à outro. Esse movimento vai nos agregando muitas aprendizagens. 

Mas o fato é que, temos a necessidade de que as coisas tenham sentido, conhecimentos sempre acrescentam, porém podem ser em vão. Por isso precisamos pensar para onde vão estes conhecimentos. Mais do que isso, para onde eles nos levam?

Logo, na escola vamos aumentando essa bagagem, mas a pergunta que devemos nos fazer é, os conhecimentos agregam para? Essa preposição tem algo a nos dizer. 

Neste contexto, ela indica um rumo, rumo este que só quem sabe é cada um, mas a escola, a metodologia do educador, podem ajudar a identificar isso. É preciso estabelecer ligações dos conteúdos para com o dia a dia dos alunos, com a vida dos alunos e com o que está a sua volta. Pensem comigo, em um exemplo simples, em uma aula de biologia, os alunos estão estudando os seres vivos, por vezes é passado o conteúdo sem construir relações para além das paredes da escola, ou seja, com os seres vivos que nos rodeiam, e se dar conta de que eles não foram criados a partir de um estudo, mas sim os estudos são feitos a partir de sua existência. Isso mostra que estabelecer essas relações “situa” o aluno em uma realidade, além de dar mais valor aos conteúdos. 

Agora, vejam como temos um processo muitas vezes inconsciente de acomodação, por uma falsa ideia já implantada de que quanto maiores os alunos, mais teoria e menos prática. Os conteúdos realmente são mais densos, mas dosar é o caminho, aqui me refiro aos excessos, principalmente a escassez. 

Vou exemplificar esta ideia, lembrando-os de que na educação infantil e até nos anos iniciais, por vezes os conteúdos que estão no nosso planejamento, obviamente em uma intensidade bem menor, são inseridos com a prática. Eles são experimentados. Agora pergunto, por que não continuar assim? É claro que pela exigência de um ensino médio, e pelo tamanho do currículo escolar, isso precisa ser adaptado e um tanto quanto esporádico. Mas volto a dizer, o problema é o excesso. Ou demais, ou de menos.

Outro ponto importante para se destacar, é se voltar para o educando, e nesse contexto, perceber que ele vai também construindo pontes entre sua vida e os conceitos, e com muita dedicação e interesse, interesse do qual foi instigado pelo gosto de aprender, e irão se identificar, ao caminhar para a vida acadêmica, por exemplo. 

Dessa forma, entendo que com alunos e professores juntos construindo pontes com a realidade, unindo a teoria com a prática, tornamos o invisível, visível. Damos sentido a toda aquela bagagem que temos, e muitas vezes não sabemos para onde ir com ela.

REFERÊNCIAS

Imagem retirada do link: https://floridachristianuniversity.edu/2019/01/16/educacao-continuada-o-caminho-certo-para-o-sucesso/