Coisas da quarentena

De repente, as pessoas se viram obrigadas a frear, a parar de trabalhar, parar de estudar, parar de correr, parar de sair. Pararam também de comprar tanto, entretanto, viram que precisavam pensar em como comprar o necessário para viver e sobreviver, com uma série de limitações, mas a maior delas, não sair de casa. E elas deram um jeito, pediram tele entrega, se organizaram para ir até o supermercado e a farmácia. E começaram a olhar para dentro de suas casas, a fazer coisas que antes não tinham tempo, e agora, é o que mais tem. 

As pessoas ficaram em casa para cuidar de suas famílias, das pessoas que amam, fazer o que gostam com elas e tudo por causa do medo, o medo de perdê-las, perdê-las pela doença. Mas acabaram gostando de fazer aquela comidinha gostosa, jogar carta e assistir um filme. Mal lembravam como era bom sentar e tomar um chimarrão no final da tarde e brincar com o cachorro.

Meu Deus! Bem, quem não mais lembrava dele, agora lembrou. Até sentou e leu aquele livro, escreveu ou até desenhou! E olha, há uma coisa que refletiu em muitas famílias, acompanhar as tarefas e trabalhinhos de escola dos seus filhos. Dia após dia, fazerem juntos as tarefas, garanto que haviam famílias que não mais o faziam. 

Olharam para seu quarto, seu guardarroupa e notaram que estava uma bagunça e que precisava arrumar. Aí usaram uma tarde ou duas, e deixaram brilhando! Até separaram algumas peças que não usam faz um ano, e doaram. 

É, coisas da quarentena. Fazer para si e para sua casa, organizar a sua vida onde ela está e aprender a fazer tudo isso sem saber como será o amanhã, sem poder planejar nada. Em tempos de Páscoa, para quem crê talvez seja a mais sincera de todas. Para os aniversariantes do mês e suas famílias, talvez seja o aniversário mais marcante e cheio de carinho. Os presentes, os chocolates, deixa para outro dia.

Ah! Quase me esqueci. O causador de tudo isso, é um ser pequeno e invisível, que agora é ele quem gostar de sair, estar onde nos estamos, sempre na rua. Agora quem está por aí é ele, nos obrigando a ficarmos quietinhos em casa, para depois voltar a fazer o que gostamos lá fora.

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